Blog
Terremoto e Sísifo( artigo Meu )
26-03-2011 23:17Terremoto e o nosso velho Sísifo
2011-03-25 22:20

Nesta semana internacional da Água, também da Super-Lua e do vazamento de lixo radioativo no Japão devido ao recente tsunami, gostaria de salientar algumas coisas que se tornam bem visíveis.
A primeira delas é o quanto o ser Humano consegue se tornar mais frágil quando segue seguro de estar em uma estrada dourada de habilidade, destreza e progresso. Pobre engano! É quando faz como Nosso grande amigo lendário grego Sísifo, que se torna mais vulnerável à fatalidade!
É claro que me refiro às recentes catástrofes que abalam o mundo neste momento.
Quantos deles usam um carro elétrico capaz de alcançar 100 km/h e que abastece até no estacionamento? Falta dinheiro? Rá, não faça – me rir! Eles tem uma ótima logística para extrair o ouro de cada lixo eletrônico de seu país, mas não para economizar força ( oops, que choque, estamos falando de uma das mais “elevadas” culturas do “mundo” ou da minha casa?)! Se eles tivessem sido mais cautelosos ( certamente não é fazer um complexo de 55 usinas EXATAMENTE EM CIMA DA FALHA! Geológica, energia suficiente pra metade do consumo brasileiro), não precisassem desse monstro de matriz energética total, talvez a tragédia teria sido menor; fora as vítimas do tsunami, talvez não houvessem vítimas do terremoto.
Quando depois de implorar aos céus que roguem por ele até na morte, o Homem -- e o Sísifo que abriga -- tenta enganar até a morte. Sentença divina? A catástrofe. É ''e'-'vidente''; tendo escolhido o caminho do "dane-se tudo vou fazer o que me dá mais matéria e seus 'bens', vou ser tapaceiro mesmo" -- o resultado só pode ser a condenação ao carregamento de uma pedra que sempre cairá no fim da montanha.
O país até bem pouco "dono” (o fluxo monetário tem dono?) da segunda maior economia do planeta foi arrasado por um abalo sísmico e suas terríveis conseqüências; supondo dominar 100% da tecnologia nuclear( sobre uma falha geológica quadríplice?, ó céus, Sísifo, que audácia!), deixou-se dominar por um consumo de "bens" psicoticamente( por que alguém todos os dias compra o que não, NÃO precisa ?) -- 55 usinas nucleares ( 1 kg de urânio rende 1 000 000 de kWh!) respondiam por nem metade do consumo de uma população que não é ( mesmo!) nem metade da brasileira, energia suficiente pra sustentar quase todo o Brasil!
De quem é a culpa? Governo ou Povo? Ambos. O primeiro é óbvio. O segundo por jogar a batata quente!Por demorar tanto a tomar providências em um Mundo que está visivelmente colapsando como o Nosso! Eles já mostraram ter competência para treinar as crianças desde pequenas para enfrentar terremotos de mais de cinco graus todas as semanas de suas vidas( curioso, na Antigüidade a atividade sísmica não era assim, do contrário aquele povo não sobreviveria sem tecnologia. O que está, então, acontecendo?), mas não foram capazes de simplesmente otimizar seus custos, algo tão ininterruptamente martelado nos “cursos profissionalizantes” ocidentais – e não aplicado.
Por isso, Não diga: “Meu governo não soube administrar meu País, fomos enganados!”
Se você acha que a mobilização consumiria o tempo de que você precisa para cuidar da sua família, a Inércia pode tomar – lhe quem você mais Ama!
Por isso, Meu povo, TOME O PODER DA PALAVRA, e não do desafio de Sísifo...
Something about my Fierce
21-03-2011 22:14
Olhar Literário – Laerte Fernando Levai
Febo, o Cão-Lua
De 28/10/2009, que copio aqui em 21/03/2011,
Queria mostrar uma pequena história que ilustra o tipo de personalidade que alguém inteiramente vivo e livre, livre o suficiente para não ter medo de abdicar quando preciso, nem de amar, o tipo de persona que ela seria...
==/==/==
Um dos textos mais belos já escritos sobre a relação homem-animal é de um jornalista italiano correspondente de guerra, CURZIO MALAPARTE (1898-1957), que nenhum envolvimento tinha com a causa dos animais. Isto, entretanto, não o impediu de contar no romance A Pele (1949), em tom autobiográfico, o período em que esteve exilado na ilha de Lípari, no Mediterrâneo, ao lado de um inesquecível companheiro: o cão Febo, que encontrara quase morto de fome à beira da praia, para então acolhê-lo naqueles difíceis anos de solidão e incertezas. A lembrança que o narrador tem de Febo é de uma beleza impressionante:
Era um ser nobre, a mais nobre criatura que encontrei na minha vida. A sua pele era cor de lua, rosa e dourada, a cor da lua sobre o mar, a cor da lua sobre as escuras e brilhantes folhas dos limoeiros e das laranjeiras, sobre as escamas dos peixes mortos que o mar, depois das tempestades, deixou no litoral, diante da porta da minha casa. Era ele da cor da lua sobre o mar grego de Lípari. Da cor da lua morta, pouco antes da aurora. Chamava-o, mesmo, de Cão-Lua.
Um cão fiel, que não se afastava dele um passo que fosse:
Seguia-me como um cão. A sua presença na minha pobre casa de Lípari, flagelada, sem descanso, pelo vento e pelo mar, era uma presença maravilhosa. Era como um reflexo do meu espírito. Unicamente a sua presença me ajudava a reencontrar o desprezo dos homens, que é a primeira condição de serenidade e da sabedoria da vida humana. Dele, muito mais do que dos homens e da sua cultura e da sua vaidade, aprendi que a moral é gratuita, que é um fim em si mesmo, que não pretende nem sequer salvar o mundo, mas unicamente inventar sempre novos pretextos para o seu desinteresse, para o seu livre exercício.
CURZIO MALAPARTE, cujo nome de batismo era Kurt Erich Suckert, conheceu de perto os horrores da guerra, na condição de jornalista membro do Partido Fascista, o que lhe dava salvo-conduto para transitar entre as vítimas da crueldade e os escombros deixados pelas tropas germânicas. Em razão das críticas que fez a Hitler e a Mussolini, acabou preso e enviado ao exílio, onde passou cerca de cinco anos. Ali teria se encontrado com o cão que imortalizou nas páginas de A Pele, obra que trata da miséria e da fragilidade humanas, e que nasceu de suas anotações secretas feitas durante o conflito mundial.
Não é preciso dizer que o narrador desse romance, ao fazer uma sondagem psicológica do homem, rende-se à doce serenidade de Febo:
Reconhecia nele os meus mais misteriosos movimentos, os meus instintos mais indefinidos, minhas dúvidas, meus medos, minhas esperanças. A sua dignidade perante os homens era a minha, a sua coragem, o seu orgulho perante a vida, o seu desprezo pelos sentimentos fáceis do homem eram os meus também. Entretanto, muito mais do que eu, era ele sensível aos obscuros presságios da natureza, à presença invisível da morte, que ronda sempre, taciturna e traiçoeira, em torno dos homens.
O protagonista conta que, ainda no exílio, acabou sendo conduzido, de mãos algemadas, até o cárcere situado em ilha vizinha. Nessa ocasião, enfatiza ele, Febo passou a segui-lo de longe, com uma maravilhosa tristeza nos seus olhos claros, a ponto de viajar clandestinamente no barco que fez a travessia marítima. Já em terra, o cão acompanhou a comitiva carcerária até a porta da cadeia, onde iniciou, paciente, sua longa espera pelo querido prisioneiro. A descrição dessa cena é comovente:
Fiquei muito tempo na prisão da cidade. Quando saí para ser levado à minha nova deportação, Febo esperava-me à porta da cadeia, magro e coberto de lama. Seus olhos claros brilhavam com uma terrível doçura. Finalmente, recuperei a liberdade (ou pelo menos o que nesse tempo se chamava de liberdade). Para mim era como se saísse de um quarto sem janelas para entrar noutro sem paredes. Fomos morar em Roma, mas Febo andava triste, parecia humilhado pelo espetáculo da minha liberdade. Ele bem sabia que a liberdade não é uma categoria humana…
Depois de testemunhar as arbitrariedades cometidas pelas forças do Eixo na Rússia, na Finlândia, na Polônia e, sobretudo, no Gueto de Varsóvia, CURZIO MALAPARTE, já convertido ao comunismo, escreveu sobre a barbárie que deixou atrás de si uma legião de mortos, de feridos e de seres desesperançados. Se a arte imita a vida, como se costuma dizer, o escritor certamente guardou na memória o exemplo de sabedoria dado pelo amigo cão, compondo, a partir dessa singular experiência existencial, um contundente ensaio sobre a natureza humana.
É melhor não revelar aqui o destino de Febo, que um dia saiu e não voltou mais. Essa tarefa, deveras árdua aos olhos mais sensíveis, fica a critério dos leitores de A Pele e de todos aqueles que lutam contra a violência, contra todas as formas de opressão, contra as injustiças, contra a tortura e o massacre de homens e de animais, tudo isso na esperança de que, em meio às cinzas da destruição, possa um dia florescer a cultura da paz.
=/=/=/
Esta é a força da natureza, intuitiva, mas racional, serena, mas feliz, realizada e realizadora, forte e sutil, paradoxalmente Humana, consubstânciada em sua forma mais suprema em VOCÊ. Apenas falta descobrires que és mais paradoxal do que pensas ser, e que assim serás mais completo.
